segunda-feira, 12 de novembro de 2012

inspirações entre bytes e taboas

e começamos... a procurar e procurar inspirações... saimos da primeira visita ao terreno, depois de ter visto outros 4 terrenos que nao bateram no coração, com um corretor cheio de lábia e manha (mais lábia que manha), quisemos voltar no dia seguinte. Andamos e andamos pelo terreno, maltratado pelo esquecimento, parecia que aquelas montanhas ali eram amaciadas e gostavam das pisadas de visitas... os cavalos que a inquilina do sitio tinha ficavam soltos, na beira de um grande lago, que tinha sido coberto por taboas, e tinham transformado a margem desta lagoa num picadeiro de treinamento que facilemente esconderia este lago da vista dos visitantes. Ficamos encantados com esse lago, essa margem, as araucárias, as arvores frutíferas praticamente secas e inférteis, mas ali, precisando de alguém que lhes dessem nome de novo, e parece que cada vez que limpávamos os óculos a miopia ia passando e o terreno mais bonito. O mato na altura dos joelhos, muitos cercados de arames farpados errados, muito diferente dos outros terrenos mais prontinhos que tinhamos visto, mas ali, andamos até a primeira nascente de agua e pensamos, que doido seria ser dono de uma nascente de agua... que coisa primitiva pra quem mora nos jardins!!!!!

Modus Operandis

Como começar, e por onde começar, e onde se inspirar, quem contratar, como explorar o terreno,  é melhor construir, melhor derrubar, melhor reformar? afff.. cabeças a mil... muita area para explorar... e eu e meu marido, dois aficcionados criativos e produtores, conhecendo o potencial da dupla, super ansiosos para por os pés nas galochas e as mãos na massa, ou melhor enxadas.
Mas antes de chegar nisso, talvez valha esclarecer o nosso modus operandi um pouco mais. Marco, diretor de criação, publicitário, self made man que chegou no topo, mas um cara simples, gente boa, cheio de papo e curiosidade, que gosta de conhecer, explorar e experimentar o novo. Incansavel, jovem, e sempre a fim. Eu, designer, mãe, criativa ao extremo, produtora que não consegue dormir sem detalhar uma idéia minha ou de outros que tenha chegado a mim, até que eu saiba exatamente como realizá-la, gosto de esmiuçar coisas, gosto de xafurdar os grandes achados. Curiosa também. E, no nosso casamento, eu sou o ímpeto das idéias arrojadas, a pessoa, que sem preconceitos, chega com uma maluquice na cabeça ou que ouve uma maluquice do marco e já sai pensando como essa maluquice pode virar a realidade do modo mais barato, rápido, prático, prazeroso e feliz no resultado. E o marco é a realização... eu teorizo sobre como fazer, levanto como tem q ser feito, e na hora do vamos lá, viro pro marco com 30 mil opções e porquês que ele é incapaz de ouvir e quando sintetizo cheia de dúvidas finais se, a maluquice ali, planejada estruturada, orçada e viabilizada é mesmo a melhor solução ou opção, ele se vê tão encantado, que fecha na hora.

É assim que funcionamos.

Desde quando eramos somente o chefe diretor de criação e a jovem designer promissora. E qdo viramos parceiros de videoclipes ou ate mesmo produtores de casamento e agora empreendedores, sócios e um pouco também arquitetos e decoradores deste projeto do sítio.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

o sitio

encontramos um grande pedaço de terra lindo, com um bom tamanho, mas uma distribuição toda esquisita e muito estragada e mal conservada. Porém a casa, velha, tinha lá seu charme de fazenda. Tinha paredes grossas, de quase 50cm de largura, tinha um corredor externo, tipo casa de fazenda antiga, e algumas janelas já bonitas. Um fogão a lenha `as traças. Um telhado capenga e cheio de ripas finas que o sustentavam de maneira heróica, e, a falta de forro, aliado a milhares de bolinhas de jornais entuchados nas frestinhas entre parede e telhado, faziam daquela casa, um ninho de aranhas sem igual. Em todas as paredes desciam aranhas do tamanho da palma da minha mão de dar medo em qualquer urbanóide como eu. A ex-proprietária, assim como a inquilina, se mostravam tranquilas com as co-habitantes aracnídeas do local, mas a gente freaked out!!!!! a casa parecia escura e muito empoeirada e só conto tantos detalhes ruins assim porque acho que foram estes que contribuíram para que nenhum outro comprador antes de mim soubesse ter um olhar que "abstraísse" os detalhes removíveis e enxergassem o potencial deste mesmo local. A casa antes tinha sido uma autêntica casa caipira com 8 cômodos pequenos, casa de queijos, casa de porcos, curral, tudo ali em volta e perto da casa, como os roceiros faziam. Animal. Era ali que investiríamos nosso desejo mais que Freudiano de nos realizarmos. Pronto. Compramos. Cada uma daquelas aranhas também.

o projeto

Eu e meu marido, há tempos acreditamos que a cada objeto que compramos usado, deixamos de fabricar um no futuro, e portanto, economizamos não só dinheiro (até pq as vezes antiguidades são mais caras do que móveis da tok stok ou até da Brentwood), mas economizamos recursos do planeta, ganhamos um objeto cheio de história, e, automaticamente, temos que nos inserir num contexto de uma época, não necessariamente a um objeto quadrado, desenhado para servir de bancada revestida pra "aquele canto que só o arquiteto saberia resolver"... Aliás sempre pensamos que "resolver o que, cara pálida? a busca do q se encaixa em cada cantinho, é nosso maior prazer"!...

Além do recurso do planeta, da história e contexto de época do objeto, vêm sempre junto deste achado, o prazer natural da nova aquisição como outra qualquer e junto, o mais prazeroso sentimento de um novo projeto acoplado, um novo desafio. Deixa eu explicar melhor: ao comprar uma cama, não num antiquário caro, com ela já lustrada, patinada ou laqueada, como se fosse artefacto-style, mas sim, num lixão por aí, vendo ela toda desmontada atrás de um monte de tralha, a gente vê nela traços de tudo q ela foi, imagina o quanto de tempo ela ficou desmontada num quartinho de fundo na Penha até ela chegar até você, e quando vc a vê, já começa um novo projeto: será que cabe uma corzinha? um escurecimento de madeira? vale revestir? e se a cabeceira vira um encosto de banco? e se o estrado vira uma treliça de parede para pendurar ganchos ou revistas? Abre-se então um mundo de possibilidades entre vc e aquele lixo que alguém jogou fora, imediamente se estabelece este novo prazer!

Aqui, retratarei, dentro deste conceito, o que me propus como projeto de reforma objeto deste blog; Concluímos recentemente um sonho de comprar um pedaço de terra num lugar lindo, a mil metros de altitude, entre SP e MG e, que, a cada post, caros leitores, vocês também entenderão a importância na nossa história familar. Tentarei contar dica a dica do que fiz, de onde me inspirei, de onde achei e de como foi a relação de amor com cada coisinha encontrada a venda em algum canto do mundo, para qual encontrarei um novo destino, formato e lugar especial ali na nova casa. Espero que, daqui a alguns anos, minha filha curta ler e encontra-los dentro da história q ela vai ter construído ali mesmo, debaixo do lustre do leilão de showroom chinês, em cima da mesa jogada na rua e pintada, por cima do assoalho de 200 anos, etc.